Nota de Pesar - Professora Aposentada Maria Auxiliadora da Cruz Lima
Professora MSc Maria Auxiliadora Cruz de Lima: Lições sobre o Pensamento Crítico
14/05/1953
+14/01/2021
A professora Maria Auxiliadora da Cruz Lima era Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Manaus, EEM/FSESP, Especialista em Metodologia do Ensino, da Pesquisa e da Assistência em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/Escola de Enfermagem Ana Nery e Mestra em Enfermagem Fundamental pela Universidade de São Paulo/ Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. A professora Maria Auxiliadora mais conhecida pela comunidade acadêmica e nos serviços de saúde como Auxiliadora, foi docente por 30 anos da EEM tendo iniciado sua carreira em 1979, aposentando-se em 2010 como Professor Adjunto 4. Auxiliadora era casada com o enfermeiro Paulo Jorge Pinheiro de Lima e foi mãe de dois filhos Ricardo Augusto da Cruz Lima e Paula de Fátima da Cruz Lima e avó de duas amadas crianças, Helena Rocha Lima e Gabriel Lima Tostes.
Auxiliadora exerceu a enfermagem em toda a sua plenitude. No campo do ensino a professora ministrou, além de contribuir em outras disciplinas afins, as disciplinas Enfermagem Médica e Enfermagem em Doenças Transmissíveis, sendo uma referência nessas áreas. Na gestão escolar exerceu a chefia de departamento por mais de um mandato no Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica; como decana assumiu a direção da EEM em situações de ausência do titular e, já aposentada exerceu o cargo de coordenadora de curso de Enfermagem na Faculdade Literatus UNICEL. No campo da assistência a professora atuou como enfermeira na Santa Casa de Misericórdia de Manaus. Destaca-se o cuidado primoroso com sua genitora o que lhe possibilitou longa existência e, com saúde.
Na pesquisa a professora Auxiliadora foi referência na temática de Pensamento Crítico em Enfermagem, tendo artigo sobre o assunto “Pensamento crítico: um enfoque na educação de enfermagem” publicado na Revista Latino Americana de Enfermagem nos anos 2000 e, que até hoje é passagem obrigatória para os que se dedicam ao tema. Também iniciou muitos acadêmicos no campo da pesquisa orientando sobre como produzir conhecimento novo. Auxiliadora exerceu a coordenação de projetos de extensão de grande impacto na formação dos acadêmicos e no apoio á sociedade para quem são dirigidos. Também teve importante inserção no campo da Sistematização da Assistência de Enfermagem desenvolvendo trabalho ímpar na clínica médica do Hospital Universitário Getúlio Vargas e na formação dos futuros profissionais de enfermagem. Participou ativamente na construção da proposta e implantação da Residência Multiprofissional do HUGV.
Como um ser político Auxiliadora teve participação efetiva no Conselho de Enfermagem, tanto COREn AM, quanto COFEn, e na Associação Brasileira de Enfermagem, organizando e participando de eventos científicos e culturais, nas Semanas e Congressos Brasileiro de Enfermagem. Também esteve presente e participativa contribuindo de forma valiosa com suas análises no processo de transição da EEM da Fundação SESP para a UFAM.
Assim, ensinando, assistindo, administrando, pesquisando, participando politicamente tendo como foco a enfermagem, Auxiliadora formou gerações de enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem. Ensinou falando, ensinou refletindo e ensinou agindo. Seu artigo ainda que escrito há duas décadas é atualíssimo. Nele, acompanhada de renomados teóricos, ela apresenta o pensamento crítico como “um composto de atitudes, conhecimento e habilidades que inclui dentre outros: um pensamento racional, reflexivo, preocupado com o que fazemos ou acreditamos Ennis apud SEDLAK (1997). uma investigação cujo propósito é explorar uma situação, fenômeno, questão ou problema, para chegar em uma hipótese ou conclusão, que integre todas as informações disponíveis, e possa, portanto, ser convincentemente justificada (Kurfiss apud GARRET et al., 1996). um processo de reflexão sobre as hipóteses que permeiam as nossas ideias e ações, bem como as dos outros, reconhecendo como o contexto altera comportamentos, resultando em novas formas alternativas de pensar e viver. É, por isso, um processo de envolvimento político, cujo desenvolvimento é fundamental para criar e manter uma democracia saudável (BROOKFIELD, 1987).Tais construções se opõem ao pensamento ingênuo, desprovido de reflexão sem a qual não podemos avançar nem como pessoa nem como profissão. Esse é um momento ímpar para refletirmos sobre nossa atitude diante do atual contexto.
E assim, balizada pelos referidos autores Auxiliadora também conclui, em seu artigo, importante ensinamento para todos nós, que “ o desenvolvimento do pensamento crítico é sem dúvida um desafio aos professores e alunos porque exige mais que o uso de técnicas de ensino diferentes da aula expositiva, exige participação”, Essa ação de participar deve ser entendida nos diferentes espaços e situações: na sala de aula, nos serviços de saúde, na vida cotidiana, no movimento sanitário e social, nas situações de epidemia, e pandemia, como essa que atravessamos em meio ao caos.
Essa é a grande lição que nos deixa em sua partida, sair do pensamento ingênuo para o pensamento crítico e nos engajarmos na luta em coletivo com o coletivo, para o coletivo. Isso é mais que necessário, é premente. Estamos perdendo vidas que poderiam ser poupadas, estamos sendo nocauteados pelas mortes, pelo descaso, pela incompetência, estamos em meio ao caos e, ainda que alguém diga que no caos só conseguimos sobreviver, para nós terá que ser mais que isso, terá que ser um espaço de indignação e de reação. Caso contrário sua partida terá sido em vão.
A Escola de Enfermagem de Manaus da Universidade Federal do Amazonas está de luto, perdeu uma profissional que ajudou a construir a sua história e certamente lhe fará falta.
Manaus, 15 de janeiro de 2021




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